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Yin e Yang
  • Medicina Tradicional Chinesa

Yin Yang: conceito-chave da cosmologia chinesa

  • 20/06/2020
  • leitura de 7 minutos
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1 Um conceito taoísta
2 A polaridade Yin Yang 陰陽
2.1 Atributos e correspondências
2.2 O símbolo do Taijitu
3 I Ching e as combinações de Yin e Yang
3.1 Os 64 hexagramas
3.2 Um livro de sabedoria
4 Referências

Na cosmologia chinesa, yin e yang são dois princípios opostos e complementares que regulam o funcionamento do cosmos. Sua alternância contínua gera a energia que sustenta o cosmos, enquanto a dinâmica de sua união e separação origina a ascensão e a queda de todos os fenômenos.

As noções de yin e yang afetaram profundamente a cultura chinesa como um todo. Representações dessas noções são encontradas na religião, na arte e em vários outros contextos;  desempenham um papel central nas ciências e técnicas tradicionais, como a medicina, adivinhação e alquimia. Além disso, a busca pelo equilíbrio e harmonia entre o yin e o yang continua a ter uma influência generalizada na vida cotidiana do povo chinês.

Um yin e um yang, este é o Tao

Um conceito taoísta

O Tao é a realidade última e indefinível como tal. Sua qualidade intrinsecamente dinâmica constitui, na visão chinesa, a essência do universo. O Tao é o processo cósmico no qual estão envolvidas todas as coisas. É o princípio do Qi manifesto.

A característica principal do Tao é a natureza cíclica de seu movimento e sua mudança incessantes. “O retorno é o movimento do Tao”, afirma Lao-Tsé, e “afastar-se significa retornar”. Todos os fenômenos naturais apresentam padrões cíclicos de ida e vinda, de expansão e contração.

Pintura taoísta do século 16 de mar, nuvens e lua, com partículas voando
Zhang Lu (1464–1538)

Essa ideia deriva, sem dúvida, dos movimentos do Sol e da Lua e da mudança das estações, mas seu princípio é muito mais abrangente. Os taoístas observam que sempre que uma situação se desenvolve até atingir o seu ponto extremo, é compelida a voltar e a se tornar o seu oposto. Essa percepção oferece coragem e perseverança nos tempos de dificuldade enquanto pede por uma atitude mais cautelosa e modesta em tempos de sucesso, propondo o que chamamos de doutrina do meio-termo. “O sábio”, afirma Lao-Tsé, “evita o excesso, a extravagância e a indulgência”.

A polaridade Yin Yang 陰陽 

A ideia de padrões cíclicos no movimento do Tao recebeu uma estrutura precisa com a introdução dos opostos polares yin e yang. São eles os dois polos que estabelecem os limites para os ciclos de mudança:

O yang, tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor do yin; o yin, tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor do yang.

Todas as manifestações do Tao são geradas pela inter-relação dinâmica dessas duas forças polares. Essa ideia é bastante antiga e muitas gerações aperfeiçoaram o simbolismo do par arquetípico yin e yang até que ele veio a se tornar o conceito fundamental do pensamento chinês.

Yin e Yang
Zhang Lu (1464–1538)

O significado original das palavras yin e yang correspondia aos lados ensombreado e ensolarado de uma montanha, o que nos dá uma boa ideia acerca da relatividade dos dois conceitos:

Aquilo que ora nos apresenta escuridão e ora nos mostra a luz é o Tao.

De um modo geral, tudo o que é animado, em movimento, exterior, ascendente, quente, luminoso, funcional, cujas capacidades se desenvolvem, tudo o que corresponde a uma ação é yang. Tudo o que está em repouso, receptivo, tranquilo, interior, descendente, frio, sombrio, material, cujas funções decrescem, tudo o que corresponde a uma substância é yin.

Atributos e correspondências

Podemos adicionar mais algumas qualidades à lista de correspondências do Yin Yang:

YangYin
ImaterialMaterial
Produz energiaProduz forma
GeraCresce
Não substancialSubstancial
EnergiaMatéria
ExpansãoContração
AscendênciaDescendência
AcimaAbaixo
FogoÁgua
RedondoQuadrado
AtividadeRepouso
CalorFrio
DiaNoite

A classificação como yin ou yang não é absoluta, mas relacional. Isso ocorre porque, sob certas condições, um pode se transformar no outro, e qualquer fenômeno pode ser infinitamente subdividido em seus aspectos yin e yang. Por exemplo, o dia é yang, a noite é yin, mas a manhã é yang dentro do yang, a tarde é yin dentro do yang, o antes da meia-noite é yin dentro do yin, e após meia noite é yang dentro do yin. Assim, no universo, qualquer fenômeno manifestado pode ser reconduzido às duas categorias yin e yang, podendo ainda cada um se separar em yin ou yang, e isso até o infinito.

O símbolo do Taijitu

O caráter dinâmico do yin e do yang é representado pelo antigo símbolo do Taijitu, ou “Diagrama do Supremo Fundamental”.

Taijitu Yin e Yang

Esse diagrama apresenta uma disposição simétrica do yin sombrio e do yang claro; a simetria, contudo, não é estática. É uma simetria rotacional que sugere, de forma eloquente, um contínuo movimento cíclico. Os dois pontos do diagrama simbolizam a ideia de que toda vez que cada uma das forças atinge o seu ponto extremo, manifesta dentro de si a semente do seu oposto.

I Ching e as combinações de Yin e Yang

A interação entre yin e yang, o par primordial de opostos, é o princípio que guia todos os movimentos do Tao. Os chineses, contudo, não pararam por aí. Eles estudaram as diversas combinações de yin e yang até atingir a forma de um complexo sistema de arquétipos. Esse sistema é elaborado no I Ching, ou Livro das Mutações.

O Livro das Mutações é o primeiro entre os cinco clássicos confucionistas e deve ser considerado como um trabalho que se encontra no próprio cerne da cultura e do pensamento chineses. A reverência devotada ao livro na China é de tal ordem que, ao longo de milênios, só encontra paralelo na importância concedida aos Vedas na tradição hindu.

Yin Yang
Ilustração de pássaros alusiva ao Taijitu com os oito trigramas

O conhecido sinólogo Richard Wilhelm inicia a introdução à sua tradução do I Ching com as seguintes palavras:

O Livro das Mutações – I Ching em chinês – é, sem sombra de dúvida, um dos livros mais importantes da literatura mundial. Sua origem perde-se na antiguidade mítica, tendo ocupado a atenção dos maiores estudiosos chineses daquele período até os nossos dias. Praticamente tudo de mais significativo e relevante ocorrido nestes três milênios de história cultural chinesa retirou sua inspiração deste livro ou exerceu influência na interpretação de seu texto. Dessa forma, pode-se afirmar com segurança que a sabedoria, amadurecida em milhares de anos, tem participado da elaboração do I Ching.

Richard Wilhelm

Os 64 hexagramas

O I Ching é, pois, um trabalho que cresceu organicamente no curso de milhares de anos, consistindo em inúmeras camadas provenientes dos períodos mais significativos do pensamento chinês. O ponto de partida do livro é um conjunto de 64 figuras, ou “hexagramas”, que se baseiam no simbolismo yin e yang e que são usadas como oráculos. Cada hexagrama consiste em 6 linhas que podem ou ser quebradas (yin) ou cheias (yang); esses 64 hexagramas compreendem todas as combinações possíveis dessas linhas. São arquétipos que representam os padrões do Tao na natureza e nas situações humanas.

Hexagramas do I Ching

Cada um recebeu um título e foi suplementado por um pequeno texto (denominado Julgamento) para indicar o rumo da ação adequado ao padrão em questão. A assim chamada Imagem é, na verdade, um outro texto breve, acrescentado posteriormente, que elabora o significado do hexagrama em umas poucas (e, não raro, extremamente poéticas) linhas. Um terceiro texto interpreta cada uma das seis linhas do hexagrama em uma linguagem carregada de imagens míticas quase sempre de difícil entendimento ao leitor desavisado.

Essas três categorias de textos formam as partes básicas do livro utilizadas para a adivinhação. Tradicionalmente um ritual elaborado envolvendo cinquenta varetas é utilizado para determinar o hexagrama correspondente à situação pessoal do indagante. Hoje é mais comum o uso de três moedas para sortear a sequência de linhas yin e yang.

Varetas e moedas de I Ching
Varetas e moedas de I Ching

Um livro de sabedoria

O objetivo da consulta ao I Ching não é simplesmente conhecer o futuro, mas antes de tudo, compreender a situação atual disposta no padrão do hexagrama de modo que se possa tomar a atitude mais apropriada. Essa finalidade torna o I Ching um livro de sabedoria.

Com tal propósito, o livro inspirou as maiores mentes chinesas nas diversas épocas: entre elas, Lao-Tsé, que de sua fonte extraiu alguns de seus aforismos mais profundos. Confúcio estudou-o intensamente e a maior parte dos comentários sobre o texto, que compõe as camadas finais, originam-se da escola confucionista. Esses comentários, as chamadas Dez Asas, combinam a interpretação estrutural dos hexagramas com explicações filosóficas.

No centro dos comentários de Confúcio, como no centro de todo o I Ching, encontra-se a ênfase no aspecto dinâmico de todos os fenômenos. A transformação incessante de todas as coisas e situações é a mensagem essencial do Livro das Mutações e da vivência taoísta em geral.

O Livro das Mutações é uma obra
Da qual o homem não deve se manter distante.
Seu Tao está em perpétua mutação –
Modificação, movimento sem descanso
Fluindo através de seis posições vazias;
Subindo e descendo sem cessar.
O firme e o maleável mudam.
Não se pode contê-los numa regra;
Aqui só a mudança atua.

A sabedoria do Livro das Mutações sintetiza, portanto, a lição fundamental de que a mudança é a própria natureza da realidade. O Tao se manifesta justamente na alternância incessante entre Yin e Yang, um ciclo onde a contração sucede a expansão e a escuridão contém a semente da luz.

Aqui ofereço uma breve abordagem conceitual desse pilar da cosmologia chinesa. As implicações práticas e a vasta aplicação destes princípios em outras áreas do saber, como a medicina e a alquimia taoísta, constituem um universo de estudo profundo que será explorado em futuras publicações.

Referências

AUTEROCHE, B.; NAVAILH, P. O diagnóstico na medicina chinesa. 2. ed. São Paulo: Andrei, 1992.

CAPRA, Fritjof. O Tao da física. Tradução de Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Cultrix, 2011.

LAO-TSÉ. Tao te ching. Tradução de Wu Jyh Cherng. 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2006.

MACIOCIA, Giovanni. Os Fundamentos da Medicina Chinesa. 3a ed. Rio de janeiro: Editora Roca, 2018.

WILHELM, Richard (Trad.). I Ching: o livro das mutações. Tradução de Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto. São Paulo: Pensamento, 2005.

Última atualização em 02/11/2025.

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Luciana Morin

Acupunturista e estudiosa da racionalidade médica chinesa, que integra cosmologia e fisiologia. É esse conhecimento que fundamenta sua prática no diagnóstico e tratamento das desordens do corpo, da mente e do espírito.

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